Sala de espelhos


Ela não lembra que morou na vila Madalena.
Ela não lembra que estudamos História na USP,
Frequentamos as festas da Libelu,
O Municipal, assistindo Caetano.

“Por mais distante
O errante navegante”

Voyers.

Ela não lembra que acreditamos.

Ela não lembra que nos amamos.

Ela lembra, (acho) (no fundo)
Em sonhos.

Re Ve Se
Jovem
Em sonhos. Fica melancólica.

Hoje ela é uma senhora distante.

Não se importa com sonhos.

Não conheço seus filhos.
Ou o seu marido.

Sei que faz parte de uma respeitável e importante família nova yorquina de artistas plásticos.

Deve viver uma rotina onde sabe-se lá se existe um recôndito para guardar no fundo as:
feiras da Fradique
os show no Lira Monte Verde Boissucanga

Vive uma vida respeitável ao lado do filho de um importante artista pop norte americano.

Há tempos já me aparentava uma miragem.
Daquelas que a gente nem sabe se existiu,
Ou se é perdição.

“A vida que poderia ter sido e não foi".

Bandeira já intuia aa física quântica e
Os inúmeros destinos que o presente tem
Simultaneamente.

To vendo um em que continuamos.
Seguimos.
Juntos.

Mas ele mesmo fende-se
Em muitos.

“Ah fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei”

Cravava um só:
A gente em Boissucanga,
Cantando Baby,
Recitando Drummond.

Cheiro de pachouli.
Gosto de arroz integral.

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