O poder delirante


Meu reino livre não é demarcado
Mas tenho o corpo fechado
Com arame farpado
Ninguém sai
Ninguém entra
Não há convívio
Entre o de fora
E o de dentro

Meus personagens mascarados aprisionados
De cabelos raspados
Fazem delicados artesanatos
Torcem vísceras
Provocam espasmos
Tornam o dia
Insuportável

Ao largo circulam
Por pátios internos
Chorando pelos cantos
Os perdidos encantos

Mas não nego a mesa
Àqueles que tornam
Meus anos 
Sombras
Que sentem e comam
Que bebam
Na taça do meu crânio

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